Uma análise publicada pelo ILOS, com base na tabela de pisos mínimos da ANTT atualizada em 16 de julho de 2026, mostra a expressiva diferença entre os valores calculados para rotas com origem na cidade de São Paulo, considerando carga geral e uma combinação veicular de seis eixos.
O piso mínimo varia de R$ 3.687, na rota São Paulo–Curitiba, a R$ 22.001, no percurso São Paulo–Belém — uma diferença de quase seis vezes.
Outros exemplos ajudam a dimensionar essa variação:
São Paulo–Rio de Janeiro: R$ 3.834
São Paulo–Goiânia: R$ 7.291
São Paulo–Recife: R$ 20.162
É importante fazer uma distinção: na metodologia da ANTT, para o mesmo tipo de carga e a mesma quantidade de eixos, a diferença decorre fundamentalmente da distância percorrida, uma vez que a fórmula utiliza coeficientes operacionais multiplicados pela quilometragem, acrescidos do custo de carga e descarga.
Entretanto, quando saímos do piso regulatório e analisamos o preço efetivamente praticado no mercado, outros fatores ampliam significativamente as diferenças entre as regiões:
• menor disponibilidade de cargas de retorno;
• maior tempo de ciclo do veículo;
• condições distintas de infraestrutura rodoviária;
• maior exposição a interrupções, restrições e riscos operacionais;
• custos com pedágios, combustível, manutenção e estadias;
• menor densidade de embarcadores e de centros consumidores;
• necessidade de reposicionamento de veículos vazios.
Em rotas regionais, como São Paulo–Curitiba e São Paulo–Rio de Janeiro, há maior densidade econômica, mais possibilidades de carga de retorno e maior aproveitamento dos equipamentos.
Nas operações de longuíssimo curso para o Norte e o Nordeste, o veículo permanece mais tempo dedicado à mesma viagem, enfrenta menor previsibilidade de retorno e demora mais para voltar a produzir receita.
Portanto, a distância explica grande parte do valor apresentado na tabela da ANTT. Mas a distância, isoladamente, não explica toda a formação do preço de mercado nem a rentabilidade da operação.
Para empresas que distribuem mercadorias nacionalmente a partir de São Paulo, esse cenário reforça a importância de avaliar:
centros de distribuição regionais, consolidação de cargas, redes de transferência, contratos de retorno e soluções multimodais.
Mais do que comparar valores por quilômetro, é necessário compreender o ciclo econômico completo da viagem.
Fonte da imagem e dos dados analisados: ILOS, com base na tabela de pisos mínimos de frete da ANTT.