Ferroviários, liguem o trem da educação!, por Rodrigo Vilaça*

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Que serviço mal feito! Não sabe fazer melhor?

Este é o reflexo do que geralmente acontece com pessoas sem qualificação profissional. Difícil encarar estes jargões, mas em um País como o Brasil, onde a educação é deficitária, palavreados e tantas frases como estas, de "incentivo", são comuns de se ouvir. Falta de oportunidade, reconhecimento zero e, ainda, humilhação. O brasileiro sofre destas infâmias quase todos os dias. E sabem o que podemos fazer? Podemos ajudar!

Como administrador poderia chegar aqui e escrever e escrever e escrever, pensando somente no que ganho trabalhando com pessoas qualificadas. Sem dúvida, muito! Mas, envolvido com o ano eleitoral, quando teremos que, mais uma vez, tentar mudar a realidade de nosso País, me sinto na obrigação de revelar o quão preocupado estou com a questão educação. Sinto-me na obrigação de falar, para todo mundo ouvir, que o setor ferroviário pode sim ajudar!

Ultimamente tenho tido grandes notícias. No dia 25 de agosto, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, divulgou a "Pesquisa Anual de Serviços", que revelou que o setor de transporte ferroviário no Brasil está em um momento promissor. Segundo o levantamento, em 2008 (ano do estudo), a produtividade média das empresas desta área foi de R$ 153,9 mil - a segunda maior da atividade de transportes. A liderança é do transporte dutoviário (R$ 485 mil).

Sobre a remuneração mensal, as empresas de ferrovias e metrôs ficaram com a terceira maior média, de 18,7 salários mínimos, o que equivale a R$ 3.372,00. Nessa análise, o recorde também foi do segmento de dutos. Em relação à média mensal do pessoal ocupado por empresa, o segmento metro ferroviário se destaca com 1.218 empregados. Em seguida estão os segmentos dutoviário (912); aéreo (183); aquaviário (48); rodoviário de passageiros (26); e rodoviário de cargas (10).

Mas, não adianta comemorarmos, muito menos estagnarmos. A Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários - ANTF ciente de que é preciso mais, realiza, por meio do Comitê de Gente e em parceria com diversas instituições, ações que estimulam a prática educacional com formação profissional. Um exemplo é o Itinerário Nacional de Educação Profissional, uma parceria com o Senai, que é referência em competência e seriedade. Serão cursos de qualificação para operadores ferroviários, maquinistas, técnicos de mecânico e eletricistas de manutenção ferroviária, técnico de mantenedor de via permanente e técnico em transporte sobre trilhos.

Estou certo de que esta década será do Transporte Ferroviário e, concomitantemente a este cenário, será inevitável que o setor promova, em parceria com o governo, políticas públicas visando à Educação Profissional permanente dos trabalhadores. Incentivos não apenas para beneficiar as ferrovias, mas como forma de lutar contra o desemprego, de aumentar as fontes e o nível de renda e de promover a cidadania, pois o trabalho é, constitucionalmente, um direito fundamental dos cidadãos.

A ANTF aposta na construção de cidadãos produtivos como ferramentas indispensáveis, tanto no processo de construção da cidadania, como no processo de adaptação do trabalhador ao novo contexto econômico e, o mais importante, à competitividade inerente da época.

* Rodrigo Otaviano Vilaça é diretor Executivo da ANTF

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